Oscar Schmidt se foi. Eu poderia falar muita coisa um dos esportistas que mais admirei, um dos culpados por ser tão fã de basquete. Poderia falar de seus inúmeros feitos, como ser o maior pontuador da história, maior pontuador dos Jogos Olímpicos, campeão mundial de clubes, campeão pan-americano em cima dos Estados Unidos na casa dos ianques, hall da fama, a história do draft da NBA… Falar de sua incansável luta contra um câncer cerebral, falar de suas polêmicas, críticas contra a geração brasileira da NBA, briga contra dirigentes… Mas queria lembrar algo que me marcou pra sempre, e que mostra um pouco da grandeza do Oscar.
O ano era 2013. Ano que Oscar foi indicado ao Hall da Fama de Springfield, nos Estados Unidos. E um jovem Marcos Antonio resolveu mandar e-mail para algumas personalidades esportivas para o ’surto entrevista’. Quase ninguém respondeu. A exceção foi o Oscar. Disse que poderia ser por e-mail, era só mandar as perguntas que ele responderia.
E lá vou eu, sem nenhuma experiência jornalística, mais fã do que qualquer coisa, reuniu as perguntas. Mando. Pouco tempo depois são respondidas. todas. ele não sabia o que era o surto olímpico, não sabia quem eu era. Podia ter ignorado. Mas tirou um tempo para me responder. Como foi por e-mail, ele foi meio que sucinto. Mas também vamos analisas friamente olha o nível das minhas perguntas: ”como foi aquela vez que você jogou contra o dream team?” kkkkk. Ele foi muito gentil ao meu ver, dado o meu total desconhecimento em levar a uma entrevista, ainda mais com alguém que eu admirava tanto. De verdade.
Mas vamos dar parabéns para o Marcos do passado, em uma de suas últimas perguntas, que foi boa. Vamos colocá-la na íntegra:
– Oscar, como você gostaria de ser lembrado daqui a 50 anos?
”Gostaria de ser lembrado como alguém que treinou mais que qualquer ser humano no nosso planeta. Bom pai, marido, filho e irmão.”
Pouco tempo depois, ele foi confirmado no Hall da fama estadunidense. Mandei o link da entrevista. Sua esposa respondeu o e-mail em nome e disse que ele tinha gostado. Mas depois veio algo inesperado.
A Confederação Brasileira de Basquete repostou a entrevista do Oscar no perfil dela do saudoso twitter. Eu falei comigo, mesmo: ”uau”. A formação clássica do surto ( Eu, Regys, Felipe Andrade e o também saudoso Rodrig Huk) também ficou feliz. A gente já tinha tido um momento legal, que foi ir no Prêmio Brasil olímpico de 2012, e estávamos sendo vistos. isso era especial para gente, que estávamos engatinhando no jornalismo olímpico. E me motivou ainda mais para fazer do site algo grandioso.
Hoje quando veio a notícia da morte do Oscar, me lembrei daquela simplória entrevista e do quanto ela me motivou a seguir no surto olímpico, aprender mais sobre outras modalidades, ir em outros eventos, me aprimorar, tanto que comecei a fazer faculdade jornalismo em 2023 – demorou eu sei, mas foram circunstâncias da vida que me fizeram desvia rum pouco do caminho. E parece que agora sou um cara que é reconhecido por muitos dos principais jornalistas de esporte olímpico do Brasil – não, eu ainda não consigo me acostumar com isso. Mas depois disso, nunca mais nos falamos. Nem pessoalmente, nem por e-mail. Tem outra entrevista dele no Surto, mas não fui eu que fiz – essa é bem melhor, inclusive – e a conversa por e-mail de 2013 foi meu único contato com ’o mão santa’.

