O Brasil continua na liderança do quadro de medalhas dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, após quatro dias de competição. Neste domingo, 5, a delegação brasileira subiu dez vezes ao pódio, com cinco ouros, três pratas e dois bronzes. Além disso, os atletas brasileiros bateram dois recordes das Américas no halterofilismo.
Com os resultados do dia, o Brasil chegou ao total de 34 medalhas (15 de ouro, 16 de prata e três de bronze). A Colômbia é a segunda colocada (nove ouros, sete pratas e quatro bronzes), seguida pela Venezuela (três ouros, duas pratas e três bronzes).
As novas marcas continentais foram obtidas pelos halterofilistas cariocas Tayana Medeiros, da cartegoria até 86 kg, e Gustavo Souza, da categoria acima de 107 kg.
Tayana, campeã paralímpica nos Jogos de Paris 2024, levantou 150 kg, na pedida extra, e superou seu próprio recorde de 147kg registrado no Mundial de Cairo, Egito, em 2025 — ocasião em que foi prata. Vale ressaltar que, na Colômbia, a carioca já havia suportado 148kg no terceiro levantamento, resultado que lhe garantiria o ouro e a nova melhor marca das Américas.
“Sinto com dever cumprido. Mostrei que tudo o que eu treinei está dando certo. Antes, o plano era até subir o peso um pouquinho mais, mas vimos que estávamos perto do ouro e resolvemos guardar para uma próxima competição. Acredito que tenho mais recordes para bater. Desde que conquistei o ouro nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, aprendi a ser mais resiliente, amadureci como atleta e aprendi que cada degrau modifica minha vida. Mostrou que eu posso evoluir cada dia mais pensando em Los Angeles 2028”, afirmou Tayana.
A prova da carioca também reuniu atletas acima dos 86kg e teve a baiana Edilândia Araújo com a medalha de bronze. Ela suportou 140kg, mais do que a medalhista de prata, a chilena Marion Serrano (136kg), porém recebeu menos pontos no placar final por ser da categoria de peso corporal superior (acima de 86kg), enquanto sua adversária competiu na categoria mais leve (até 86kg).
Já Gustavo suportou 253 kg, também na pedida extra, e derrubou uma marca que pertencia a si próprio: 251 kg — resultado alcançado no Mundial de Cairo 2025 e no terceiro levantamento neste domingo em Valledupar. “É uma medalha muito importante. A minha primeira de ouro em competições internacionais. Isso é resultado de uma ótima estratégia que tracei com meu técnico Antônio Carlos para chegar bem aqui, evitando que um possível desgaste me atrapalhasse”, disse o carioca. A prata ficou com o colombiano Eglan Mena (225 kg) e o bronze foi do chileno Matías Jimenez (185kg).
Ainda no halterofilismo, o Brasil subiu ao lugar mais alto do pódio com a paulista bicampeã paralímpica Mariana D’Andrea, na categoria até 73kg e 79kg. Ela levantou 142kg e dividiu o pódio com a mineira Caroline Fernandes, prata com a marca de 129 kg. O pódio foi completado pela Maria Becker (115kg). “Queria agradecer ao meu treinador Valdecir Lopes e aos brasileiros que sempre torcem por mim. Ninguém conquista nada sozinho e essa medalha também é daqueles que me apoiam diariamente”, disse Mariana, que retornará ao tablado nesta segunda-feira, 6, para a disputa entre equipes femininas.
O mineiro Mateus de Assis, da categoria até 107kg, e o paraibano Ailton Souza, até 80kg, também foram campeões. Mateus levantou 218kg e fez uma dobradinha brasileira com o também mineiro Jean Rufino, prata com 217kg. O bronze foi do argentino Matías Fenoy (175 kg). Já Ailton suportou 182kg, dividindo o pódio com o colombiano Francisco Palacios (175kg) e o chileno Matias Caravel (160kg).
O Brasil ainda conquistou outros pódios na modalidade. O catarinense Ezequiel Correa foi bronze na categoria até 72kg, com levantamento de 176kg. O venezuelano Carlos Betancourt foi prata (181kg) e o panamenho Rey Melchor Vasquez ficou com o ouro (200kg).
Na categoria até 97kg, o pernambucano José Arimateia foi prata com o levantamento de 190kg. O ouro foi conquistado pelo colombiano Fabio Torres Silva, com 220kg. Já o bronze foi obtido pelo chileno Frank Ubilla, que ergueu 176kg.
Goalball
No goalball feminino, a seleção feminina venceu a Venezuela por 12 a 2, encerrando a partida antecipadamente por game (quando o time vencedor abre 10 pontos de diferença). Na véspera, a equipe já havia vencido o Peru, por 4 a 2, e empatado com o Chile, por 2 a 2. A equipe volta à quadra nesta segunda-feira, às 13h30 (de Brasília), para enfrentar o Panamá.
Já a Seleção masculina derrotou a Venezuela por 18 a 8. Na véspera, havia vencido a Colômbia por 13 a 3 e, nesta segunda-feira, jogará contra a Argentina e Chile, às 10h e 18h, respectivamente.
Basquete em cadeira de rodas
A Seleção masculina de basquete em cadeira de rodas foi superada pela Argentina, por 72 a 67. Na véspera, a equipe havia estreado com vitória por 105 a 12 contra o Peru. Agora, a equipe disputa a semifinal contra os anfitriões colombianos, nesta segunda-feira, às 16h45. Já a feminina, que venceu o Peru na semifinal por 77 a 11, fará a final diante da Argentina, às 21h15.
Vôlei sentado
No vôlei sentado, a Seleção Brasileira feminina, que venceu o Peru na véspera, superou neste domingo a Argentina por 3 sets a 0 (parciais 25/11, 25/9 e 25/11), pela fase de grupos. O próximo desafio da equipe, ainda pela etapa qualificatória, será contra a Venezuela, às 11h30 desta segunda-feira.
Já nas disputas masculinas, o Brasil venceu a Bolívia por 3 sets a 0 (parciais de 25/3, 25/4 e 25/2). A equipe já derrotou o Peru e a Colômbia pela competição. Nesta segunda-feira, a Seleção terá dois desafios: enfrentará a Argentina, às 10h, e a Venezuela, às 18h. Ambas as partidas ocorrerão ainda pela etapa qualificatória.
Tênis de mesa
Os mesatenistas brasileiros venceram 18 dos 28 jogos que realizaram contra atletas estrangeiros. No único confronto 100% entre atletas do país, melhor para a dupla Jennyfer Parinos e Alana Maschio. Elas derrotaram Mariana Damasio e Aline Meneses por 3 sets a 0 (11/4, 11/6 e 11/3). O jogo foi válido pela fase de grupos das classes WD14-20.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos Paralímpicos, em Paris, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.

