Responsável por movimentar cerca de R$ 183,4 bilhões por ano, esporte brasileiro entra definitivamente na pauta do Congresso Nacional

Audiência discute seu papel na geração de empregos, no fortalecimento da indústria e no desenvolvimento do país

Foto: Divulgação
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Nesta terça-feira (7), no Plenário 4, uma audiência pública promovida pela Comissão do Esporte reuniu representantes do governo federal, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), confederações esportivas, especialistas e dirigentes para discutir o esporte como instrumento estratégico de desenvolvimento econômico.

O debate ocorre em um momento em que a indústria esportiva brasileira movimenta aproximadamente R$183,4 bilhões por ano, valor equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB), evidenciando a crescente relevância do setor para a economia nacional.

“Ver esse tema ganhar espaço no Congresso é importante porque amplia a discussão sobre políticas públicas e incentivos que fortalecem todo o ecossistema esportivo. Ao mesmo tempo, percebemos que as empresas também evoluíram, há a busca não apenas por visibilidade, mas por projetos com propósito, que gerem impacto real e criem uma conexão autêntica com as pessoas”, afirma Vanessa Pires, CEO da Brada, plataforma de impacto positivo que conecta marcas, pessoas e causas sociais via Leis de Incentivo.

Para Leila Neto, Diretora da CRIAPE, empresa especializada na elaboração, gestão e execução de projetos esportivos via Lei de Incentivo ao Esporte, quando o esporte passa a fazer parte das discussões sobre desenvolvimento do país, o impacto vai muito além das competições.

“Esse reconhecimento fortalece políticas públicas e incentiva novos investimentos em projetos que transformam a realidade de milhares de pessoas. Na prática, vemos que iniciativas viabilizadas por meio das Leis de Incentivo conseguem levar oportunidades para regiões que, muitas vezes, não teriam acesso a atividades esportivas, culturais e educacionais”, conclui Leila.

Entre os convidados confirmados estão o secretário da Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, Giovanni Rocco Neto; a presidente do Instituto Sou do Esporte, Fabiana Bentes; o gerente de Relações Institucionais do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Matheus Bacelo de Figueiredo; o consultor de Projetos Esportivos Incentivados, Ricardo Paolucci; o organizador da Maratona do Rio de Janeiro, Renato Cohen; o coordenador técnico do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), João Moretti; o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos; e o CEO da Ticket Sports, Daniel Krutman.

“O reconhecimento do esporte como um setor estratégico para a economia é um avanço importante. Quando se discute o impacto da indústria esportiva, é preciso olhar para toda a sua cadeia, desde a formação de atletas até a infraestrutura que permite a prática esportiva acontecer. Espaços bem planejados e investimentos estruturantes ampliam o acesso ao esporte, impulsionam o desenvolvimento regional, geram empregos e criam as condições para que esse mercado continue crescendo de forma sustentável. Esses são os reflexos desse investimento e as conexões do esporte nas políticas de saúde, educação e segurança” afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa de infraestrutura esportiva há 47 anos.

Para Moises Assayag, especialista em finanças no esporte, com atuação em reestruturação financeira e operacional, o reconhecimento do esporte como um setor estratégico reflete uma mudança na forma como a atividade é percebida pelo mercado e pelo poder público.

“Os números mostram que o esporte deixou de ocupar um papel periférico na economia brasileira. Quando um setor movimenta mais de R$180 bilhões por ano e representa uma parcela crescentemente relevante do PIB, com o componente adicional de envolver praticamente todo o país, ele precisa ser tratado como um mercado estratégico. Apesar de nem toda intervenção do Estado em setores econômicos ser positiva, debates como esse contribuem para a construção de um ambiente mais robustecido para investimentos, ajudando-o a progredir, fortalecendo a governança, a profissionalização e o desenvolvimento de toda a cadeia esportiva”, completa Moises.

Em 2025, o PIB do Esporte apontou impacto de R$183,4 bilhões, de acordo com o relatório conduzido pelo Instituto Sou do Esporte, com metodologia de cálculo da EY – Ernst & Young. Os clubes esportivos brasileiros tiveram participação expressiva no levantamento, com um valor adicionado de R$8,081 bilhões ao PIB nacional em 2023 (4,41%). Isso corresponde a um crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

O relatório aponta ainda que a atuação dos clubes se estende a diversas áreas que não estão contempladas na metodologia do estudo, como gestão de museus, centros culturais, escolas esportivas e outras atividades correlatas, o que indica que o valor real pode ser ainda mais elevado.

Para o Presidente do CBC, Paulo Maciel, os dados refletem a relevância dos clubes como protagonistas do ecossistema esportivo brasileiro: “Os clubes são motores do desenvolvimento esportivo e têm papel econômico central no ecossistema do esporte brasileiro. A cifra de R$8 bilhões é expressiva, mas certamente é apenas uma parte do que eles representam. Temos que avançar na qualificação e registro das atividades, para que o impacto do nosso segmento seja refletido com ainda mais precisão.”

Dentre os setores que contribuem com o esporte brasileiro, um dos destaques é o segmento de bets, com patrocínios milionário junto ao futebol brasileiro. “O setor de bets é responsável por investimentos significativos em áreas como o esporte e o futebol. Além disso, também apresenta enorme potencial para impulsionar a economia do país, tendo em vista também os repasses em impostos e a geração de empregos.Todo esse cenário ficou muito claro com o primeiro ano da regulamentação, mas é claro que ainda é essencial que o setor avance em tópicos fundamentais, como a educação do público sobre as probabilidades de perda, o incentivo real ao jogo responsável, a prevenção ao jogo problemático e o combate ao mercado clandestino, que opera fora da lei e deixa os apostadores sem qualquer proteção”, analisa Daniel Fortune, especialista em conteúdo digital focado na conscientização sobre as bets.

Redação Surto Olímpico

Redação Surto Olímpico

Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
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