O adiamento ocorre após a mudança anunciada na terça-feira pelo Comitê Olímpico Internacional, que suspendeu provisoriamente a punição ao ROC após uma análise de sua Comissão de Assuntos Jurídicos. A sanção estava em vigor desde outubro de 2023, quando o comitê russo incorporou à sua estrutura conselhos esportivos de territórios sob a jurisdição do Comitê Olímpico Nacional da Ucrânia; no entanto, o COI agora considera que os fundamentos da punição não se sustentam mais, uma vez que o ROC não inclui mais essas entidades como membros e garantiu que não realizará atividades nessas áreas.
A decisão do COI também afeta as diretrizes gerais que as federações vinham utilizando desde 2022 para restringir a participação russa. A entidade recordou que, em fevereiro daquele ano — quatro dias após a invasão da Ucrânia —, recomendou que federações e organizadores de eventos internacionais excluíssem atletas e dirigentes russos e bielorrussos ”para proteger a integridade das competições esportivas globais e garantir a segurança de todos os participantes”. Agora, o COI declarou que essas condições, juntamente com as adotadas em março de 2023 para regulamentar a participação neutra, não se aplicam mais aos processos de classificação em curso para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e para os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude de Dolomiti Valtellina 2028. Embora tenha retirado suas recomendações anteriores sobre restrições a atletas e equipes russas, o COI deixou claro que qualquer atleta russo que retorne às competições internacionais terá de cumprir os requisitos antidoping pertinentes — com a gestão do programa nacional delegada à Agência Internacional de Testes (ITA), especialmente enquanto a Agência Antidoping da Rússia (RUSADA) aguarda sua plena reintegração.
No luge, a disputa vinha se arrastando desde antes das mudanças no cenário olímpico. A FIL submeteu a prorrogação das sanções contra atletas russos a votação em junho de 2024 e, em julho de 2025, Natalia Gart, presidente da Federação Russa de Luge, declarou à agência TASS que a entidade defenderia os direitos de seus atletas na justiça; posteriormente, Mikhail Degtyarev, Ministro do Esporte da Rússia e presidente do Comitê Olímpico Russo, informou em seu canal no Telegram que havia entrado com recurso contra a decisão do Congresso da FIL que mantinha a proibição.
A Corte Arbitral do Esporte (CAS) acabou acolhendo o recurso russo contra a proibição imposta pela FIL e abriu caminho para a participação internacional, embora o efeito prático não tenha sido uma readmissão coletiva incondicional, mas sim uma via restrita a atletas autorizados a competir sob bandeira neutra.