O Conselho Federal aprovou e encaminhou a proposta relativa ao decreto de princípios e planejamento, instrumento pelo qual o governo federal suíço estabelece as diretrizes gerais de seu envolvimento no projeto. O texto será analisado pelo Conselho Nacional e pelo Conselho dos Estados — provavelmente durante as sessões de outono e inverno de 2026 — e representa o primeiro grande teste interno antes que a candidatura possa avançar para negociações mais específicas com o COI.
A consulta pública realizada no início do ano revelou uma ampla base de apoio, mas também definiu os limites políticos do projeto. Das 120 contribuições recebidas, 103 manifestaram-se a favor da realização dos Jogos na Suíça, embora muitas tenham condicionado esse apoio a garantias quanto a financiamento público, responsabilidades territoriais, segurança e padrões ambientais. Os principais argumentos favoráveis destacam o desenvolvimento do esporte, a coesão social, a inclusão e o aproveitamento de infraestruturas existentes, enquanto os críticos alertam para possíveis estouros de orçamento, impactos ambientais e falta de legitimidade democrática.
A candidatura propõe um modelo de país-sede, em vez de um baseado em uma única cidade-sede, com competições distribuídas por diferentes regiões e uma filosofia que busca adaptar os Jogos ao território, e não transformar o território para os Jogos. A ideia foi bem recebida por cantões, cidades e federações esportivas por reduzir a necessidade de novas instalações permanentes, mas não elimina a questão central: quem paga, quem assume os riscos e quem decide em caso de aumento de custos.
O plano financeiro prevê um orçamento total de 2,2 bilhões de francos suíços (2,38 bilhões de euros), com 82% dos recursos provenientes de fontes privadas. A contribuição federal seria limitada a um máximo de 200 milhões de francos suíços (216,7 milhões de euros), destinada a cofinanciar os Jogos Paralímpicos, reduzir o custo do transporte público para os espectadores, cobrir parte dos custos organizacionais e criar uma reserva de contingência. O governo federal suíço, no entanto, não assumirá a responsabilidade por eventuais déficits e exige que os cantões e municípios contribuam com, pelo menos, um valor equivalente.