Suíça inicia debate político sobre a candidatura para receber os Jogos Olímpicos de Inverno de 2038

O governo anunciou apoio a candidatura do país para receber os Jogos

Foto: Reprodução
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Suíça inicia debate político sobre a candidatura para receber os Jogos Olímpicos de Inverno de 2038.

O país passará por um debate parlamentar no segundo semestre, após receber o apoio do Conselho Federal — um processo marcado por exigências relacionadas a financiamento, governança, legado e divisão de responsabilidades.

O processo avançou além da fase de aval governamental para um estágio mais delicado, no qual a candidatura “Suíça 2038” precisará transformar o apoio institucional, territorial e privado em garantias suficientes para convencer o Comitê Olímpico Internacional (COI) antes do final de 2027. Esse prazo marca o encerramento do “diálogo privilegiado”, fase em que a entidade olímpica permite que a Suíça desenvolva seu projeto como interlocutora exclusiva para aquela edição.

O Conselho Federal aprovou e encaminhou a proposta relativa ao decreto de princípios e planejamento, instrumento pelo qual o governo federal suíço estabelece as diretrizes gerais de seu envolvimento no projeto. O texto será analisado pelo Conselho Nacional e pelo Conselho dos Estados — provavelmente durante as sessões de outono e inverno de 2026 — e representa o primeiro grande teste interno antes que a candidatura possa avançar para negociações mais específicas com o COI.

A consulta pública realizada no início do ano revelou uma ampla base de apoio, mas também definiu os limites políticos do projeto. Das 120 contribuições recebidas, 103 manifestaram-se a favor da realização dos Jogos na Suíça, embora muitas tenham condicionado esse apoio a garantias quanto a financiamento público, responsabilidades territoriais, segurança e padrões ambientais. Os principais argumentos favoráveis ​​destacam o desenvolvimento do esporte, a coesão social, a inclusão e o aproveitamento de infraestruturas existentes, enquanto os críticos alertam para possíveis estouros de orçamento, impactos ambientais e falta de legitimidade democrática.

A candidatura propõe um modelo de país-sede, em vez de um baseado em uma única cidade-sede, com competições distribuídas por diferentes regiões e uma filosofia que busca adaptar os Jogos ao território, e não transformar o território para os Jogos. A ideia foi bem recebida por cantões, cidades e federações esportivas por reduzir a necessidade de novas instalações permanentes, mas não elimina a questão central: quem paga, quem assume os riscos e quem decide em caso de aumento de custos.

O plano financeiro prevê um orçamento total de 2,2 bilhões de francos suíços (2,38 bilhões de euros), com 82% dos recursos provenientes de fontes privadas. A contribuição federal seria limitada a um máximo de 200 milhões de francos suíços (216,7 milhões de euros), destinada a cofinanciar os Jogos Paralímpicos, reduzir o custo do transporte público para os espectadores, cobrir parte dos custos organizacionais e criar uma reserva de contingência. O governo federal suíço, no entanto, não assumirá a responsabilidade por eventuais déficits e exige que os cantões e municípios contribuam com, pelo menos, um valor equivalente.

Esse ponto torna o financiamento privado uma condição política fundamental. A empresa de telecomunicações Sunrise juntou-se na semana passada ao grupo de apoiadores privados da candidatura e assumirá 10% da garantia de execução oferecida por empresas privadas, enquanto o grupo de tecnologia ABB anunciou, na segunda-feira, uma garantia financeira de 20 milhões de francos suíços (21,7 milhões de euros), unindo-se à marca esportiva On e à Sunrise. Frédéric Favre, CEO da “Switzerland 2038”, afirmou que o compromisso da Sunrise “reforça a confiança em nosso modelo de candidatura com garantia privada”. Peter Voser, presidente do conselho de administração da ABB, disse que a garantia “ressalta nossa firme convicção na capacidade da Suíça”.

O aumento do apoio corporativo visa abordar uma das preocupações mais frequentemente levantadas durante a consulta. Os cantões-sede e a conferência dos governos cantonais apoiam o projeto, mas exigem uma distribuição justa e transparente de custos entre o governo federal suíço, os cantões e as localidades-sede. Eles também reivindicam estruturas de governança claras, o envolvimento antecipado de todas as esferas afetadas e uma estratégia nacional de legado com objetivos ecológicos, sociais e econômicos bem definidos.

Os municípios selecionados como sedes adotam uma posição semelhante. Engelberg, Lenzerheide e Zurique alertaram que riscos financeiros e encargos de investimento adicionais não devem ser transferidos para seus orçamentos, enquanto Zurique e Lausanne consideram o envolvimento financeiro federal insuficiente para um projeto de âmbito nacional. A segurança representa outra área sensível, uma vez que os cantões exigem que a divisão de tarefas e custos seja definida o mais breve possível, incluindo operações policiais intercantonais e possível apoio do exército e da defesa civil.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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