Em dia de decisões importantes, COI implementa mudança na Carta Olímpica

Mudanças fortalecem a “neutralidade” do COI

Foto: Cyril Zingaro/Keystone via AP
Foto: Cyril Zingaro/Keystone via AP

O Comitê Olímpico Internacional aprovou, na quarta-feira, alterações na Carta Olímpica propostas pelo conselho executivo, com o objetivo de reforçar a neutralidade política do esporte.

As mudanças fortalecem a redação que enfatiza que o esporte deve estar livre de interferência política. Uma das alterações destaca o papel do COI em garantir a neutralidade “em todos os momentos, livre de pressões governamentais, culturais, sociais ou econômicas”.

O comitê também aceitou mudanças no programa de esportes olímpicos, estabelecendo que disciplinas individuais — e não modalidades esportivas completas — serão avaliadas para inclusão nos Jogos de Verão e de Inverno, a partir dos Jogos de Brisbane, em 2032.

Segundo o COI, as decisões sobre quais esportes serão incluídos serão tomadas nos próximos meses ou, o mais tardar, até o início do próximo ano.

O COI afirma que as reformas de neutralidade visam proteger atletas e competições de influências externas e impedir que os Jogos Olímpicos sejam utilizados para fins políticos.
“Esse compromisso trata de proteger o que torna os Jogos Olímpicos únicos: unir o mundo por meio do esporte e da competição pacífica”, disse Kirsty Coventry, membro do COI.

Questionada se a decisão abria caminho para a eventual participação plena de atletas russos, Coventry afirmou que o COI precisava de tempo para entender como a mudança seria implementada em relação aos atletas.

Antes da reunião, críticos argumentaram que a mudança poderia enfraquecer as barreiras para o retorno pleno da Rússia ao esporte internacional e ameaçar a integridade do movimento olímpico.

Atletas russos enfrentaram sanções devido a um escândalo de doping patrocinado pelo Estado, relacionado aos Jogos de Inverno de Sochi em 2014; além disso, em 2022, o COI recomendou o banimento de atletas russos e bielorrussos de competições após a invasão da Ucrânia.

O Comitê Olímpico Russo foi suspenso em outubro de 2023 após reconhecer conselhos olímpicos regionais em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia — medida que, segundo o COI, violou a Carta Olímpica e a integridade territorial da Ucrânia.

No mês passado, o COI suspendeu todas as restrições impostas a atletas bielorrussos, permitindo seu retorno a eventos internacionais, incluindo as classificatórias para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Crescem as especulações de que uma decisão semelhante possa ser tomada em relação à Rússia nos próximos meses.

O ministro do Esporte e presidente do Comitê Olímpico Russo, Mikhail Degtyarev, declarou em abril que a Rússia estava “fazendo todo o possível” para garantir o retorno pleno de seus atletas às competições internacionais.

Dinheiro para atletas

O COI também anunciou um auxílio financeiro de US$ 10.000 para atletas olímpicos, ao qual qualquer competidor de uma edição dos Jogos pode se candidatar.
A medida surgiu em resposta ao desejo dos atletas de obterem mais apoio direto ao longo de sua trajetória olímpica, afirmou Pau Gasol Saez, presidente da Comissão de Atletas do COI.

“Esta é uma vitória para todos nós”, disse ele aos membros.

Mudanças no programa esportivo

Avaliar a inclusão no programa por disciplina, em vez de por esporte, ajudaria a preservar a qualidade e a viabilidade econômica dos Jogos Olímpicos, disse o membro do COI Tony Estanguet aos demais integrantes.

Segundo as novas regras, uma disciplina é definida como um ou mais eventos dentro de um esporte que exijam uma área de competição exclusiva ou uma modificação significativa em uma área compartilhada, envolvendo equipamentos especializados.
Por exemplo, embora a World Aquatics seja a federação internacional responsável pelos esportes aquáticos, o programa olímpico abrange cinco disciplinas relacionadas: natação, saltos ornamentais, natação artística, polo aquático e maratona aquática, explicou o diretor de esportes do COI, Pierre Ducrey, à Reuters.

Cada disciplina seria avaliada individualmente, uma medida que poderia abrir caminho para a inclusão de novas modalidades.

“Há muitos esportes que sonham em integrar o programa olímpico e nunca tiveram essa oportunidade”, disse Ducrey.

No entanto, David Lappartient, presidente da União Ciclística Internacional (UCI), alertou que essa abordagem poderia colocar alguns esportes em risco de perderem seu lugar.

“Se for preciso remover um esporte do programa olímpico, isso traz muitas consequências para os próprios atletas, para os CONs (Comitês Olímpicos Nacionais) e para as federações internacionais”, afirmou ele, defendendo decisões baseadas em dados, e não tomadas de forma improvisada ou pontual.

O presidente da entidade que rege o pentatlo moderno, Rob Stull, disse que a medida serviu como um “alerta” para que esportes como o dele se mantenham relevantes e pensem em como se preparar para as futuras gerações.

Esportes eventualmente removidos do programa receberiam assistência financeira durante um período de transição, informou o COI.

A decisão final caberá à Sessão do COI, com base nas recomendações do Conselho Executivo da entidade. As modalidades recém-incluídas permanecerão no programa por, no mínimo, dois ciclos olímpicos, enquanto seu desempenho é avaliado.

Escolha da sede de 2036 tem data marcada

Ainda nesta quarta, o COI estabeleceu 2029 como prazo para escolher a sede dos Jogos Olímpicos de 2036, em um processo atualmente paralisado que há muito é alvo de interesse da Índia e do Catar.

O cronograma, aprovado em uma reunião de todos os membros do Comitê Olímpico Internacional, representa um reinício sob a gestão da presidente Kirsty Coventry, após as escolhas de Los Angeles (sede dos Jogos de Verão de 2028) e Brisbane (sede de 2032) terem ocorrido com 11 anos de antecedência.

A medida resgata a votação competitiva desejada pelos membros, visto que Los Angeles e Brisbane foram escolhidas, na prática, sem enfrentar candidaturas rivais. Paris, sede dos Jogos de 2024, foi escolhida em 2017 com o tradicional prazo de sete anos de preparação, ocasião em que Los Angeles abriu mão da disputa imediata para garantir a edição de 2028 sem concorrentes.

Pelo menos 10 candidaturas potenciais para os Jogos de Verão de 2036 e edições posteriores estavam em negociação com o COI quando Coventry suspendeu o processo, na primeira grande decisão de sua presidência.

Ao detalhar o novo cronograma, a integrante do COI Kolinda Grabar-Kitarović afirmou que a disputa deve ganhar forma em março do próximo ano.

O conselho executivo do COI selecionará uma lista restrita oficial para uma “avaliação mais aprofundada de várias partes interessadas com projetos desenvolvidos”, disse Grabar-Kitarović, ex-presidente da Croácia.

“Falamos em mais de 10, então agora a situação está ficando um pouco mais clara”, disse ela a repórteres mais tarde, acrescentando que o COI busca transparência e pretende publicar, ainda este ano, uma lista das partes interessadas. Esse grupo pode incluir cerca de oito candidatos.

Foi estabelecido o final de 2028 como meta para iniciar uma fase de “diálogo direcionado” com os candidatos, momento em que seus governos deverão apresentar garantias jurídicas e financeiras.

A eleição da sede para 2036 deve ocorrer durante a Sessão do COI prevista para meados de 2029, em local ainda a ser definido.

Espera-se que o Catar seja um forte candidato, após ter sediado campeonatos mundiais de diversas modalidades olímpicas de destaque, incluindo atletismo, ginástica, natação, futebol e ciclismo.

Uma Olimpíada sediada em Doha também poderia compartilhar alguns eventos com países vizinhos da região.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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