Segundo a entidade máxima do futebol europeu, todos os seus 55 associados rejeitaram a ideia da FIFA de vender ações de seus torneios a investidores privados
Nesta quinta-feira (30), a UEFA anunciou seu repúdio a proposta da FIFA de criar uma empresa para vendas das ações de torneios chancelados por ela a investidores privados.
A empresa se chamaria FIFA Forward Enterprise (FFE), sendo ela uma subsidiária de controle majoritariamente da FIFA, ficando a cargo de operações comerciais e das competições de maior apelo. Para a FIFA, esta hipotética empresa valeria 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). A venda da fatia equivalente a US$ 4,2 bilhões representaria ações minoritárias de investidores privados.
Se este plano for aprovado, a quantia a ser paga para cada membro da entidade aumenta: na atualidade, o valor gira em torno de R$ 41 milhões. Com o plano, a bagatela sobe para 102 milhões em 2030, 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões de reais até o ano de 2038.
A FIFA postou nota em seu site oficial. Nela, diz que a injeção de capital privado será preponderante para “alcançar todo o potencial de direitos de transmissão e patrocínios da FIFA em todo seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e base.”
Futuro da Copa do Mundo Feminina posto em xeque
Este iminente boicote da UEFA prejudicaria o funcionamento da Copa do Mundo Feminina, que será no ano que vem, no Brasil. Vale salientar que os associados da UEFA terão a Copa do Mundo Feminina sub-20 pela frente, e com a Polônia de país-sede, de 5 a 27 de setembro.
Em outubro, acontecerão os play-offs da UEFA, valendo vaga para a Copa do Mundo Feminina. Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales irão participar. UEFA, Concacaf – confederação que abrange América do Norte, Central e Caribe – e a Confederação Asiática de Futebol se manifestaram se maneira contrária.
Ao todo, das 211 nações que integram a FIFA, estas três englobam 143 países, formando assim ampla maioria.
O que diz a UEFA
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo.”








