Ucraniano do skeleton defende coalização de países contra a decisão do COI de retirar a suspensão da Rússia de forma provisória

Heraskevych foi excluído de Milão Cortina após ser proibido de usar o capacete em homenagem a esportistas mortos na Guerra na Ucrânia

Foto: Alessandra Tarantino/AP
Foto: Alessandra Tarantino/AP

O atleta de skeleton Vladyslav Heraskevych — rosto ucraniano dos Jogos de Milão-Cortina após a polêmica envolvendo seu capacete — defendeu, na terça-feira, a formação de uma coalizão de comitês olímpicos nacionais para se opor à decisão provisória do COI de suspender a punição à Rússia, afirmando que restrições de visto e discussões sobre boicote deveriam ser consideradas.

Heraskevych, que foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 por usar um capacete com uma mensagem sobre a Ucrânia, disse à Reuters que a decisão do COI era “absolutamente vergonhosa” e corria o risco de oferecer à Rússia uma plataforma para propaganda.

“Acredito que devemos adotar uma postura firme junto a outros comitês olímpicos nacionais e outras nações contra essa decisão”, disse Heraskevych.

Questionado se um boicote poderia ser uma solução, ele respondeu: “Se tivermos uma coalizão forte…”

“Espero que possamos organizar algum evento ou reunião com os comitês olímpicos nacionais de outros países, sem o envolvimento do COI”, acrescentou.

O Comitê Olímpico da Rússia foi suspenso em outubro de 2023 por reconhecer conselhos olímpicos regionais em áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia — Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia — o que, segundo o COI na época, violava a Carta Olímpica e a integridade territorial do Comitê Olímpico da Ucrânia.

O COI informou na terça-feira que ainda não decidiu se a Rússia poderá exibir sua bandeira e cores ou ter seu hino executado nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

A presidente da comissão de atletas do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a entidade olímpica não compactua com a guerra e continuará apoiando a Ucrânia, mas acrescentou que os atletas não deveriam “pagar o preço” pelas ações de seu governo.

Heraskevych rejeitou o argumento do COI, afirmando que as federações esportivas russas continuavam ativas nos territórios ucranianos ocupados.
“Em primeiro lugar, porque muitas federações — federações esportivas na Rússia — ainda operam em territórios ocupados”, disse ele.

“Como vemos no bobsled — na federação russa de bobsled —, eles realizam eventos de forma bastante ativa na Crimeia, na Crimeia ocupada.”

Ele afirmou que as mudanças estatutárias feitas pelo Comitê Olímpico Russo não eram suficientes enquanto as entidades esportivas russas permanecessem fisicamente envolvidas nos territórios ocupados.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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