Por Lucas Felix
5 de agosto de 2016. O mundo era outro. No Brasil, o presidente interino Michel Temer. Nos Estados Unidos, o presidente em segundo mandato Barack Obama. No Vaticano, o papado de Francisco. Mas um assunto em comum rendeu mensagens de todos eles. A do pontífice destacava “aos brasileiros, que com sua característica alegria e hospitalidade organizam a festa do esporte, desejo que esta seja uma oportunidade para superar os momentos difíceis”.
Pelo menos nos padrões estabelecidos até ali, não eram tempos fáceis mesmo. O país já se considerava polarizado, o zika vírus parecia a emergência de saúde a nos atingir da maneira mais severa em gerações… Mal sabíamos o que viria. Muita coisa já havia mudado desde o 2 de outubro de 2009 em Copenhague. Mas não o desejo de celebrar a “cidadania internacional absoluta” que Luiz Inácio Lula da Silva havia atribuído ao Brasil no momento em que o sotaque de Jacques Rogge ao anunciar o “Rio de Janeiro” entrou para a eternidade em nossas recordações.
Se o mundo era outro, nós éramos transportados para outro mundo também. Um mundo que cabia em um gramado de 105 metros de comprimento por 68 metros de largura. Mas que ia muito além de qualquer fronteira, seja da geografia ou da história. O protocolo inteiro estava ali, como a repetição não nos deixa esquecer. O desfile das delegações, os discursos das autoridades, o acendimento da pira com a chama olímpica… Um roteiro que o mundo constrói junto há décadas. Mas que simultaneamente nunca tinha visto com tanta paixão e verdade – e nem chegou a ver depois também, é bom frisar.


