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Coluna Coelho Olímpico - Lembra dele? Vôlei masculino ganhava ouro há 10 anos. Parecia “mais um”. Mas nunca sabemos quando uma era acaba

Dez anos depois da vitória histórica no Maracanãzinho, Brasil enfrenta o fim de sua era

Redação Surto Olímpico 2 min
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Coluna Coelho Olímpico - Lembra dele? Vôlei masculino ganhava ouro há 10 anos. Parecia “mais um”. Mas nunca sabemos quando uma era acaba
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Lucas Felix

Quatro finais olímpicas consecutivas! Há exatamente uma década, o Maracanãzinho vivia o ápice do nosso vôlei masculino, que se transformou em tricampeão dos Jogos Olímpicos em casa. Naquele 21 de agosto, o time brasileiro podia ostentar ainda que também havia disputado as quatro últimas decisões do Campeonato Mundial (até então ainda quadrienal, dimensionando o tamanho do domínio exercido). Na anual Liga Mundial, havia ficado de fora da disputa do ouro só em quatro das dezesseis oportunidades no século.

A decisão contra a Itália no Rio de Janeiro marcou a despedida do lendário Serginho. O tom, contudo, não era o de que viriam tempos tão difíceis posteriormente. Se no Mundial de 2002 ainda não conseguíamos dimensionar a era que estava sendo iniciada, 2016 também não evidenciou tão claramente o fechamento de um ciclo. Ficamos “pessimamente” acostumados, com a presença nas decisões se transformando quase em um mero protocolo.

Não deveríamos. É natural se animar com feitos inéditos e novas descobertas, mas o esporte brasileiro vive em um padrão pouco positivo de não desfrutar tão bem assim das suas conquistas quando elas se transformam em mais recorrentes, como verdadeiras eras de ouro. O que afetou o vôlei naquela época é o que pode se aplicar hoje, por exemplo, para o surfe, em que os Mundiais mais recentes não foram tão visibilizados quanto a conquista inédita de Gabriel Medina em 2014.

Dias atrás, o Jornal Nacional conseguiu fazer uma reportagem sobre a longevidade de Kelly Slater em uma etapa da WSL sem frisar que o campeonato atual é liderado pelo brasileiro Ítalo Ferreira em nenhum momento. Na mesma edição, ignorou ainda o Masters 1000 conquistado por Orlando Luz e Rafael Matos no tênis, sendo que habitualmente dá espaço para João Fonseca em fases iniciais de torneios equivalentes, outra opção editorialmente questionável.

A postura de ir tirando espaço de títulos que se empilham cria um clima de “obrigação” quando o tamanho de um grande feito é rigorosamente igual independentemente do passado recente da modalidade. Cada novo degrau merece uma celebração. A fonte, afinal, uma hora seca. Os rivais se organizam, como o próprio Brasil fez nas duas modalidades exemplificadas, que tinham um status quo dominante prévio rompido pela nossa ascensão.

Que cada festa seja eterna enquanto dure, então. E que aprendamos a celebrar o presente sem perder o olho no futuro. É justamente a exaltação dos campeões que colabora com a inspiração de uma nova geração para a renovação através da base, exatamente o que anda fazendo tanta falta ao vôlei masculino.

Podemos e devemos mirar em quem está fazendo história contra o “normal”, como a chegada das nossas brilhantes leoas da ginástica rítmica à elite mundial. Mas sem transformar em “banal” quando há uma conquista equivalente no skate ou no judô por causa da fartura nas modalidades, por exemplo. Deve haver espaço tanto para a flor que desabrocha na aridez quanto para a floresta que se agiganta. Ambas colaboram contra a seca (de medalhas). É uma lição que aprendemos na dor com o voleibol. Aquela “mais uma final de Liga”, que podia passar batida parecendo inevitável que “ano que vem tem a próxima”, agora faz muita falta quando não chegamos nem nas quartas. Não precisamos repetir o erro. Sejamos felizes com cada feito!

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