A decisão contra a Itália no Rio de Janeiro marcou a despedida do lendário Serginho. O tom, contudo, não era o de que viriam tempos tão difíceis posteriormente. Se no Mundial de 2002 ainda não conseguíamos dimensionar a era que estava sendo iniciada, 2016 também não evidenciou tão claramente o fechamento de um ciclo. Ficamos “pessimamente” acostumados, com a presença nas decisões se transformando quase em um mero protocolo.
Não deveríamos. É natural se animar com feitos inéditos e novas descobertas, mas o esporte brasileiro vive em um padrão pouco positivo de não desfrutar tão bem assim das suas conquistas quando elas se transformam em mais recorrentes, como verdadeiras eras de ouro. O que afetou o vôlei naquela época é o que pode se aplicar hoje, por exemplo, para o surfe, em que os Mundiais mais recentes não foram tão visibilizados quanto a conquista inédita de Gabriel Medina em 2014.
Dias atrás, o Jornal Nacional conseguiu fazer uma reportagem sobre a longevidade de Kelly Slater em uma etapa da WSL sem frisar que o campeonato atual é liderado pelo brasileiro Ítalo Ferreira em nenhum momento. Na mesma edição, ignorou ainda o Masters 1000 conquistado por Orlando Luz e Rafael Matos no tênis, sendo que habitualmente dá espaço para João Fonseca em fases iniciais de torneios equivalentes, outra opção editorialmente questionável.