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Dez anos das Olimpíadas do Rio 2016: qual é o legado para o esporte brasileiro?

Década posterior aos Jogos Olímpicos no Brasil contou com recorde de medalhas, fortalecimento da Lei de Incentivo ao Esporte e consagração de novos ídolos

Redação Surto Olímpico 9 min
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Dez anos das Olimpíadas do Rio 2016: qual é o legado para o esporte brasileiro?
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Há dez anos, o Brasil recebia pela primeira e única vez os Jogos Olímpicos, principal evento multiesportivo do planeta. Com sede no Rio de Janeiro, foram reunidos atletas de 207 países para a disputa de 973 medalhas de ouro, prata e bronze em 42 modalidades esportivas diferentes.

A edição marcou a melhor participação brasileira da história à época. Os 465 atletas do Time Brasil conquistaram 19 medalhas ao total, sendo sete de ouro (atual recorde ao lado de Tóquio 2020), seis de prata e seis de ouro. Entre elas, a medalha do título inédito do futebol masculino, o terceiro ouro do vôlei masculino e as emocionantes vitórias de Thiago Braz, no salto com vara, e Rafaela Silva, no judô feminino categoria até 57kg.

A Rio 2016 registrou também os primeiros passos de alguns ídolos brasileiros no esporte. A ginasta Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, estreou na categoria por equipes, ajudando a equipe brasileira a se classificar para as finais e ficar na 8ª posição, e individual geral, encerrando a participação em 11ª. Nos Jogos Olímpicos seguintes, Rebecca faria história conquistando dois ouros, três pratas e uma de bronze, a medalha inédita na categoria por equipes.

Na mesma edição, Hugo Calderano fez sua estreia no tênis de Mesa e já repetiu a marca histórica de Hugo Hoyama em Atlanta 1996, chegando às oitavas de final e igualando a melhor participação brasileira na modalidade. Em Tóquio 2020, o mesatenista superou o resultado anterior e se tornou o primeiro latino-americano a atingir às quartas, e em Paris 2024, conseguiu até então a melhor participação de um atleta das Américas, com um quarto lugar. Apesar da falta de medalhas olímpicas, Calderano acumula conquistas na modalidade, com o título da Copa do Mundo 2025 e diversos Pan-Americanos, além da medalha de prata no Mundial de Doha 2025.

Isaquias Queiroz é outra estrela que participou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. No entanto, Isaquias já começou sua carreira olímpica com medalhas na canoagem. Nas categorias C-1 1000 (individual) e C-2 1000 (ao lado de seu companheiro Erlon de Souza), o canoísta conquistou a medalha de prata, além de um bronze na prova C-1 200. A sonhada vitória viria apenas na edição seguinte, quando Isaquias conquistou o primeiro olímpico na categoria C-1 1000, já em Paris 2024, o canoísta voltaria a subir ao pódio na mesma categoria, encerrando com uma medalha de prata.

*Evolução na formação de atletas e infraestrutura esportiva nacional*

Alguns dos agentes mais importantes para evolução do esporte brasileiro pós Rio 2016 são os clubes e agremiações esportivas. Diferentemente do modelo dos Estados Unidos, com a formação esportiva concentrada em escolas e universidades, no Brasil são os clubes que garantem espaço, estrutura e oportunidades para o desenvolvimento de atletas em todas as modalidades, sendo a principal base do esporte nacional.

Entre os grandes incentivadores dessa rede está o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), responsável por estruturar, financiar e fortalecer as entidades que sustentam o esporte de base e de alto rendimento. Nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, 84% dos 465 atletas brasileiros foram formados em clubes, o que se repetiu nos Jogos de Paris 2024, quando 277 atletas competiram na capital francesa, 89% foram formados em clubes.

Alguns dos agentes mais importantes para evolução do esporte brasileiro pós Rio 2016 são os clubes e agremiações esportivas. Diferentemente do modelo dos Estados Unidos, com a formação esportiva concentrada em escolas e universidades, no Brasil são os clubes que garantem espaço, estrutura e oportunidades para o desenvolvimento de atletas em todas as modalidades, sendo a principal base do esporte nacional.

Entre os grandes incentivadores dessa rede está o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), responsável por estruturar, financiar e fortalecer as entidades que sustentam o esporte de base e de alto rendimento. Nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, 84% dos 465 atletas brasileiros foram formados em clubes, o que se repetiu nos Jogos de Paris 2024, quando 277 atletas competiram na capital francesa, 89% foram formados em clubes.

“A Rio 2016 evidenciou, para o Brasil e para o mundo, a força da formação esportiva realizada pelos clubes. Os resultados recentes do país nos Jogos Olímpicos mostram que o investimento contínuo em competições, equipes técnicas e estrutura esportiva geram impacto direto na renovação do esporte nacional”, explica Paulo Maciel, presidente do CBC.

Só no primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho de 2026, o CBC investiu R$38.886.255,03 no apoio aos Campeonatos Brasileiros Interclubes - CBI®️, por meio do Eixo Competições do Programa de Formação de Atletas. O montante representa um crescimento de quase 92% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram destinados R$20.266.653,00 às competições apoiadas pela entidade. Os recursos foram utilizados para garantir o apoio logístico aos clubes participantes dos campeonatos realizados em diversas regiões do país, fortalecendo a participação de atletas e contribuindo para o desenvolvimento do esporte brasileiro em diferentes modalidades e categorias.

Paralelamente à formação de atletas na prática, a evolução do ambiente jurídico e institucional também é um dos legados da Rio 2016. Entre os principais avanços está o fortalecimento da Lei de Incentivo ao Esporte, que ampliou as possibilidades de financiamento para iniciativas de formação esportiva e inclusão social em todo país. Um dos exemplos é o Instituto Reação, que expandiu suas atividades por meio de projetos incentivados, oferecendo acesso ao esporte, educação e desenvolvimento pessoal para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Casos como esse demonstram como a parceria entre poder público, iniciativa privada e organizações especializadas contribui para transformar recursos em oportunidades.

"Os Jogos Olímpicos deixaram um legado importante, mas ele só faz sentido quando existe continuidade. A Lei de Incentivo ao Esporte é uma ferramenta que ajuda a transformar esse legado em ações concretas, permitindo que projetos sociais, de formação esportiva e de alto rendimento tenham mais condições de se manter ao longo do tempo. Dez anos depois da Rio 2016, a discussão deixa de ser apenas sobre o evento e passa a ser sobre como fortalecer iniciativas que garantam oportunidades para as próximas gerações", afirma Vanessa Pires, CEO da Brada, empresa que conecta projetos aprovados via leis de incentivo a patrocinadores.

Outro legado dos Jogos Olímpicos é o desenvolvimento da infraestrutura esportiva nacional, iniciada a partir do Rio de Janeiro. São necessários centros de treinamento, áreas de apoio, logística, tecnologia, mobilidade, acessibilidade e espaços preparados para receber atletas, delegações, patrocinadores e torcedores fazem parte de uma operação que demanda planejamento de longo prazo e investimentos robustos.

O Parque Aquático Maria Lenk, sede do nado sincronizado, os saltos ornamentais e o polo aquático na Rio 2016, foi transformado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e se tornou o Centro de Treinamento do Time Brasil.

As Arenas Cariocas seguem sob responsabilidade do Governo Federal e Prefeitura, sendo utilizadas de diversas maneiras. A Arena Carioca 1 integra o CT do Time Brasil e é constantemente palco de eventos e competições esportivas, a Arena Carioca 2 serve como base de incentivo ao esporte para as comunidades da região, onde oferece aulas gratuitas de diferentes modalidades e, por fim, a Arena Carioca 3 foi remodelada e transformada no Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado, a primeira arena olímpica do mundo a se transformar em uma escola.

Para Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço, empresa que faz a organização do Sand Series São Paulo, Copa do Mundo de Beach Tennis e Brasil Ladies Cup, e especialista na organização de grandes eventos esportivos, um evento do porte dos Jogos Olímpicos contribui para elevar o padrão da infraestrutura disponível no país e deixa um legado que beneficia futuras competições.

"Um evento como os Jogos Olímpicos exige uma infraestrutura extremamente complexa, pensada para atender milhares de atletas, profissionais e espectadores ao mesmo tempo, que passam a fazer parte do patrimônio esportivo do país. Quando esse planejamento é bem executado, o legado permanece por muitos anos, porque essas instalações continuam recebendo competições, treinamentos e projetos esportivos. É justamente essa continuidade que fortalece a capacidade do Brasil de sediar novos eventos internacionais e de oferecer melhores condições para o desenvolvimento do esporte em diferentes modalidades", afirma Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço.

Segundo Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva que participou ativamente no fornecimento de pisos e estruturas na Rio 2016, o maior legado dos Jogos Olímpicos foi consolidar a importância dos investimentos em equipamentos esportivos de qualidade para o desenvolvimento do esporte brasileiro.

"Os Jogos Olímpicos de 2016 deixaram um legado que vai além das medalhas. Eles mostraram que investir em infraestrutura esportiva é investir na formação de atletas e no desenvolvimento social. Ao longo desta década, vimos centros de treinamento serem modernizados, novas arenas entrarem em operação e uma maior preocupação com a qualidade dos espaços destinados ao esporte. Esses investimentos contribuíram diretamente para a evolução do desempenho dos atletas, refletindo em resultados esportivos cada vez mais consistentes ao longo dos anos. O desafio agora é garantir que esse legado continue sendo ampliado, com investimentos permanentes e planejamento de longo prazo", comenta o executivo.

Alguns esportes em específico se aproveitaram do surgimento de novos astros alinhado ao legado da Rio 2016 para se consolidar no mapa esportivo brasileiro. Após os recentes resultados de João Fonseca e Guto Miguel, o Brasil teve um boom na prática do tênis, com crescimento no aumento de inscrições em torneios infanto juvenis em mais de 40% nos últimos anos, segundo dados da Federação Paulista de Tênis (FPT), refletindo a evolução na formação esportiva da modalidade.

"Após essa década, o tênis já vê os reflexos do legado olímpico no crescimento do interesse pela modalidade, no surgimento de novas referências para os jovens e no fortalecimento do esporte em diferentes regiões do país. Em São Paulo, por exemplo, acompanhamos um aumento expressivo no número de atletas e competições, resultado de um trabalho contínuo de desenvolvimento. O desafio agora é transformar esse crescimento em uma política permanente de formação, para que o Brasil continue revelando jogadores competitivos no cenário internacional", comenta Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis (FPT).

*Crescimento do esporte olímpico brasileiro digitalmente*

A evolução do esporte olímpico brasileiro pós Rio 2016 não se restringiu à performance esportiva e alcançou números relevantes digitalmente. O Time Brasil acumula quase 8 milhões de seguidores nas principais redes sociais, sendo 2,8 mi no Instagram, 2,4 mi no Facebook, 1,6 mi no TikTok, 664 mil no X e 459 mil no YouTube.

Durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, a conta no Instagram conquistou mais de 1,6 milhões de seguidores em dez dias e se tornou o perfil olímpico nacional mais seguido do mundo, superando os Estados Unidos. O crescimento foi fruto de uma ação coordenada pelo COB junto à End to End, agência de conteúdo digital responsável pelas redes do Time Brasil no período.

"O principal legado dos Jogos Olímpicos Rio 2016 talvez seja ter consolidado uma nova cultura esportiva no país. A exposição proporcionada pelos jogos ajudou a revelar atletas, ampliar o interesse do público por modalidades olímpicas e reforçar a importância de estruturas permanentes de treinamento. Os recordes alcançados pelo Brasil nos ciclos seguintes mostram que grandes eventos podem acelerar esse desenvolvimento, desde que sejam acompanhados por políticas e investimentos capazes de sustentar essa evolução no longo prazo", comenta Danielle Vilhena, diretora de operações e projetos da Agência End to End

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