Surto Olímpico
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Rio 2016 vivida no Rio mas fora dos estádios e ginásios

Emoções vividas por mim que eternizaram minha experiência olímpica.

Andrei Floriano 5 min
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Rio 2016 vivida no Rio mas fora dos estádios e ginásios
Foto: Um casal simpático no Rio de Janeiro

Cresci no interior do estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Rio Grande, à época das Olimpíadas Rio 2016. Sendo o sexto filho de uma família com nove, era difícil para meus pais conseguirem levar todos os filhos para assistir a este evento inédito no Brasil. Meu próprio pai diria algum tempo depois que se arrependeu de não ter levado todos os filhos que ainda moravam com eles (na época os 6 mais novos) para assistir aos jogos na Cidade Maravilhosa.

Então chegamos à pergunta: como tu fostes para o Rio então?

Meu irmão mais velho já tinha passagem e ingressos comprados para prestigiar o evento na segunda semana, quando o estava visitando na região metropolitana de Porto Alegre comentei que queria muito ir aos jogos, então meu irmão perguntou ao seu marido: "Temos milhas pra comprar passagem?", o aceno com a cabeça do meu cunhado foi a melhor resposta silenciosa que já vi.

Embarquei para o Rio de Janeiro na quarta-feira seguinte e lá encontrei alguns dos meus irmãos e meus pais.

Esportes que assisti

Àquela altura, os ingressos para os esportes mais prestigiados ou com brasileiros já haviam praticamente esgotado, então fui atrás dos ingressos mais baratos possíveis que consistiam em esportes pouco populares no Brasil e/ou em um dia que não tivesse brasileiro disputando. Também ganhei ingresso de um amigo e meus pais.

Os esportes que consegui ver foram: basquete masculino (França x Venezuela), basquete feminino em rodada dupla (EUA x Canadá e Espanha x Senegal), badminton, boxe, tênis de mesa e vôlei masculino (Brasil x Itália na primeira fase).

Todos tiveram experiências marcantes e diferentes. No basquete feminino fui entrevistado por uma rádio colombiana após a rodada dupla, me perguntaram sobre o basquete brasileiro e lembro de “arranhar” um portunhol péssimo para dar a entrevista, mas me entenderam. Consegui ir ao jogo do Brasil no vôlei masculino porque meu amigo ficou doente no dia do jogo (no dia do seu próprio aniversário) e me deu de presente o ingresso do jogo, o que imagino já ter sido um pressentimento dele de que não seria um bom jogo porque o Brasil acabaria perdendo para a Itália de 3 a 0. Quando fui para o jogo do basquete masculino, estava acompanhado justamente deste amigo e foi o primeiro jogo de basquete profissional que tive a oportunidade de assistir na vida, justo com grandes nomes mundiais em quadra que eu apenas acompanhava pela tela da televisão.

Os jogos de badminton, boxe e tênis de mesa foram bons por estar em família, porque não conhecia muito bem os atletas que estariam ali competindo. À época, eu era “apenas” um amante do esporte que gostava de ver tudo, mas não um assíduo do esporte que conhecia também os atletas de cada modalidade.

Experiências fora dos jogos

Quando eu falo dos jogos do Rio para as pessoas, o foco das perguntas é geralmente nos jogos que assisti, os passeios que fiz no Rio de Janeiro e sobre o perigo da cidade. Porém, uma das coisas que mais me marcaram nos dias em que estive lá não foram os jogos que vi, mas o que vivi por ser uma época de olimpíadas em uma cidade que estava respirando o maior evento esportivo do mundo.

A cidade estava lotada de pessoas do mundo todo, uma ótima oportunidade para praticar meu inglês falando aleatoriamente com pessoas desconhecidas, foi o que fiz. Conversei com pessoas dos EUA, Países Baixos, Suécia… além de vez ou outra me oferecer ou pedir para alguém tirar foto para mim com o “Can you take a picture, please?”.

Brasil tem a melhor torcida

Por último, a vivência junto a torcedores de tudo que é lugar do mundo, mas, principalmente, de tudo que é lugar do Brasil tornaram os jogos acompanhados em trânsito uma experiência coletiva emocionante.

O jogo das quartas de finais do futebol feminino entre Brasil e Austrália aconteceu no dia 12 de agosto, dia em que eu fui assistir os jogos de basquete feminino e depois o masculino. No retorno, após essa maratona de basquete, ainda estava na prorrogação do jogo entre Brasil e Austrália e posteriormente foi para os pênaltis. O meu retorno para o apartamento estava acontecendo no BRT lotado com várias outras pessoas que estavam no complexo da Tijuca assistindo aos jogos, com o ônibus lotado de brasileiros e em uma época em que os streamings para assistir TV ao vivo não existiam para celulares todos começaram a olhar discretamente para o celular da pessoa mais próxima possível que possuísse uma antena para assistir a reta final desse jogo emocionante. Só sei que quando terminou a disputa por pênaltis, com a vitória do Brasil, todos se abraçavam e comemoravam e o sentimento de alegria era o que estava presente naquele BRT lotado de gente.

A segunda experiência que quero compartilhar sobre este assunto foi quando teve o jogo da semifinal entre Brasil e Suécia no feminino. O jogo foi bem no horário em que eu estava indo ao aeroporto Santos Dumont para retornar ao Rio Grande do Sul. Então, cheguei ao aeroporto sem saber ao certo como estava o resultado, e sem poder perder o foco de passar para a área de embarque do aeroporto por causa do horário, depois que passei da catraca me preocupei em procurar uma TV em que o jogo estivesse sendo transmitido para ver o que ainda restasse de jogo (se ainda restava algo). Restavam os pênaltis, novamente, para serem cobrados. Meus pais e irmã estavam no Maracanã assistindo este jogo e eu no aeroporto, disposto a perder o vôo pra ver o fim emocionante. Porém, não era apenas eu no aeroporto, parece que todos os vôos se permitiram atrasar e as pessoas pararam em frente às TVs para ver um possível retorno do Brasil feminino a uma final de olimpíadas depois de 8 anos. O nervosismo tomou conta de todos presentes, seja no aeroporto ou no Maracanã, e dessa vez não fomos bem nos pênaltis… a tristeza era visível, mas sem tempo para ser sentida, pois sabíamos que o relógio dos pilotos voltaria a bater depois do apito final e então foi a correria para todos pegarem seus vôos e irem para seus destinos com as cobranças de pênalti em mente e com as conversas de escada rolante tendo um só assunto: “espero não ter perdido meu vôo.”

As olimpíadas têm um sentido especial. Une pessoas do mundo todo e do mesmo país para torcer por um mesmo esporte porque simplesmente é a sua bandeira sendo representada.

Obrigado Rio 2016 por tanto!

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