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Coluna Coelho Olímpico: Nem Barcelona, nem Atenas. A Olimpíada do Rio de Janeiro foi simplesmente linda. E continua sendo

Lucas esteve presente nos Jogos Olímpicos no Rio em 2016

Redação Surto Olímpico 4 min
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Coluna Coelho Olímpico: Nem Barcelona, nem Atenas. A Olimpíada do Rio de Janeiro foi simplesmente linda. E continua sendo
Foto: Arquivo Pessoal

Por Lucas Félix

Uma Olimpíada se faz naturalmente por um viés comparativo. Seja na performance dos atletas, na cobertura da mídia, no engajamento da sede… As lembranças moldam as referências do que se esperar antes, durante e depois de cada edição. Ecoam como exemplos ou “fantasmas”, permitindo que cada cidade receba um histórico de aprendizados quando recebe a honra. E some tantos outros para as sucessoras com a sua prática.

O Brasil se fez maior, sem dúvidas. Seja da nossa parte, seja da do Comitê Olímpico Internacional, a sensação obtida no apagar da pira no Maracanã de que valeria a pena repetir tudo de novo, mesmo com os desafios colocados no caminho, se mantém depois de dez anos.

A capital fluminense segue com muitos dos seus problemas históricos, é verdade. Uma combinação de estouro da crise econômica nacional (até adiada localmente justamente pela mobilização olímpica) e de mandatos no Executivo imediatamente pós-Jogos de representantes que tinham pouco a lucrar politicamente por causa da identificação de seus antecessores com o projeto olímpico. Mas os ganhos de mobilidade e de revitalização da área portuária seguem plenamente reconhecíveis.

O Rio não se transformou em um epicentro global empilhando grandes competições em sequência, mas tampouco saiu da agenda das federações. No fim de semana passado, estava recebendo etapas da Copa do Mundo de triatlo e do Circuito Mundial de vôlei de praia. No próximo, o Maracanãzinho, que voltou a ter partidas de vôlei e basquete com mando do Flamengo de forma mais frequente, será palco da Liga Mundial de skate street.

Skate, aliás, que nem estava no programa olímpico em 2016. E agora é um dos nossos pilares em busca de medalhas. E pensar que as inclusões cariocas na lista de esportes, em tempos menos flexíveis do COI, foram o golfe e o rúgbi…

Falar dos “novatos de Tóquio”, inclusive, ajuda a dimensionar melhor outro legado que também está numa análise de meio do caminho: o esportivo. Os reforços foram essenciais para que o Brasil subisse de patamar efetivamente. Dos seis títulos mundiais conquistados pelo país em provas olímpicas no ano passado, um terço deles veio com as manobras de Rayssa Leal na pista e Yago Dora no mar. O taekwondo, o boxe e a marcha atlética completam a lista de fontes dos ouros de 2025.

Além dos resultados, a plasticidade e a juventude das modalidades as tornam mais do que integradas às atenções nacionais agora. Elas também são especiais pela multiplicidade de fontes. Se as conquistas recentes foram com uma mulher no street e com um homem na água, podem facilmente vir também do park masculino e do surfe feminino em breve.

É uma abundância menos usual na nossa lista de chances pensando em Los Angeles. As lutas seguem fortes (com o perdão do trocadilho), a ginástica ganhou o brilho da rítmica (que poderia muito bem ter sido campeã mundial em casa no ano passado em uma avaliação justa)… Já fontes de outrora, como a natação e a vela, secaram. E as apostas diversificadas no tênis de mesa e tiro com arco, por exemplo, ainda devem no maior dos eventos.

Temos mais candidatos, porém não exatamente podemos esperar mais medalhas. Na comparação com outro grande evento quadrienal, é como se o Brasil tivesse montado uma nominata mais forte para a sua coligação, mas ainda assim dependendo de puxadores como Rebeca Andrade e Isaquias Queiroz para ter uma garantia da conversão dos votos em vagas (no pódio). É uma “chapa” mais forte do que pré-Rio 2016, quando muitas vezes exercia o papel de partido nanico só marcando posição. Mas ainda insuficiente para pensar em aprovar PECs que mudem os rumos drasticamente.

Se o título desta coluna ilustra que a cidade não pode ser comparada nem com a revolução catalã nem com o desastre grego, esportivamente podemos dizer que Los Angeles parece igualmente distante da ausência de ouros de 2000 quanto da fartura dos 7 de 2016 e 2021.

É um copo que pode ser enchido ou esvaziado rapidamente diante da nossa dependência de esportes com ampla interferência da arbitragem ou dos jurados. Mas que dificilmente será seco ou transbordado por completo.

Se os ganhos no ranking ainda não exploram todo o nosso potencial, os feitos já realizados merecem ser ainda mais exaltados em um cenário de dificuldades. Enquanto ainda tentamos voltar aos megaeventos poliesportivos pelo menos com um Pan-Americano, a Olimpíada em casa segue viva e linda para a posteridade. Rafaela Silva, Thiago Braz, Robson Conceição, Martine e Kahena, Alison e Bruno e as seleções masculinas de futebol e vôlei se eternizaram naqueles dias mágicos de agosto de 2016. E esse legado ninguém tira.

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