Por Lucas Félix
Uma Olimpíada se faz naturalmente por um viés comparativo. Seja na performance dos atletas, na cobertura da mídia, no engajamento da sede… As lembranças moldam as referências do que se esperar antes, durante e depois de cada edição. Ecoam como exemplos ou “fantasmas”, permitindo que cada cidade receba um histórico de aprendizados quando recebe a honra. E some tantos outros para as sucessoras com a sua prática.
O Brasil se fez maior, sem dúvidas. Seja da nossa parte, seja da do Comitê Olímpico Internacional, a sensação obtida no apagar da pira no Maracanã de que valeria a pena repetir tudo de novo, mesmo com os desafios colocados no caminho, se mantém depois de dez anos.
A capital fluminense segue com muitos dos seus problemas históricos, é verdade. Uma combinação de estouro da crise econômica nacional (até adiada localmente justamente pela mobilização olímpica) e de mandatos no Executivo imediatamente pós-Jogos de representantes que tinham pouco a lucrar politicamente por causa da identificação de seus antecessores com o projeto olímpico. Mas os ganhos de mobilidade e de revitalização da área portuária seguem plenamente reconhecíveis.
O Rio não se transformou em um epicentro global empilhando grandes competições em sequência, mas tampouco saiu da agenda das federações. No fim de semana passado, estava recebendo etapas da Copa do Mundo de triatlo e do Circuito Mundial de vôlei de praia. No próximo, o Maracanãzinho, que voltou a ter partidas de vôlei e basquete com mando do Flamengo de forma mais frequente, será palco da Liga Mundial de skate street.


