A 16 dias dos Jogos Sul-americanos da Juventude Panamá 2026, os últimos detalhes do Time Brasil são alinhados. E um deles merece destaque. Com uma delegação majoritariamente formada por adolescentes (cerca de 95% dos atletas tem menos de 18 anos), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) dá especial atenção à área Esporte Seguro, com foco na prevenção de riscos, no acolhimento e na resposta a eventuais situações de vulnerabilidade.
Alinhadas às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI), especialmente às prioridades estabelecidas na Agenda Olímpica 2020+5, as ações do COB buscam assegurar um ambiente esportivo saudável, ético e protegido para atletas, comissões técnicas e demais membros da delegação.
”Quando o atleta se sente respeitado, protegido e apoiado, ele consegue ter um desenvolvimento integral, não só na performance esportiva, mas também como pessoa. O Esporte Seguro tem um papel essencial nisso: criar um ambiente seguro, acolhedor onde o atleta possa colocar seu foco na sua evolução, aprendizado e bem-estar. E o Comitê Olímpico do Brasil estar atento a isso mostra um avanço muito importante e necessário para o esporte como um todo. E principalmente para o desenvolvimento da nova geração de jovens atletas”, explica a Chefe de Missão do Time Brasil em Panamá 2026, a medalhista olímpica no Rio 2016 Poliana Okimoto.
Durante a Missão, a estrutura de proteção é reforçada pela atuação de um Oficial de Salvaguarda — profissional capacitado por meio do programa Safe Sport Certificate, desenvolvido pelo COI. Esse especialista atua como ponto de referência dentro da delegação, monitorando o ambiente, identificando possíveis situações de vulnerabilidade e oferecendo orientação e acolhimento a atletas e demais integrantes.
No Panamá, Mariany Nonaka, ex-atleta olímpica de tênis de mesa e advogada do COB desde 2019 desempenhará este papel. ”Participei da primeira turma do Curso Safe Sport Certificate do COI e, de fato, foi um divisor de águas para mim. Como mulher e ex-atleta pude entender melhor uma série de desconfortos que vivemos e muitas vezes não sabemos nomeá-los. Ao longo do curso entendi que são violências e o que essas violências geram na vida do atleta, suas consequências. Isto me trouxe muita reflexão e uma sensação de urgência, pois entendi que muita coisa precisa ser mudada”, conta Mariany.
Antes mesmo do embarque para o Panamá, todos os integrantes da Missão passam por um processo obrigatório de capacitação, com a realização de cursos do Instituto Olímpico Brasileiro (IOB) que abordam temas como prevenção de assédio e abuso, combate à discriminação, manipulação de resultados e antidopagem. A formação tem como objetivo ampliar a consciência sobre comportamentos inadequados e reforçar a responsabilidade individual na construção de um ambiente seguro.
A delegação também conta com apoio psicológico integrado às ações de Esporte Seguro. Profissionais da área atuam no acompanhamento emocional dos atletas, auxiliando na identificação precoce de sinais de vulnerabilidade e contribuindo para o encaminhamento adequado de cada situação.

