O COI retirou de forma provisória a suspensão russa
A Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF) analisará os documentos para definir o procedimento para um possível retorno de atletas russos às suas competições, após o Comitê Olímpico Internacional (COI) ter suspendido provisoriamente a punição imposta ao Comitê Olímpico Russo (ROC).
Em comunicado enviado na quarta-feira à agência de notícias TASS, a entidade que rege ambas as modalidades mundialmente não anunciou uma readmissão imediata, mas iniciou uma revisão jurídica e regulatória para determinar como a nova situação se enquadraria em sua própria estrutura esportiva. “A IBSF reconhece a decisão mais recente do COI de suspender provisoriamente a punição ao Comitê Olímpico Russo e que suas recomendações anteriores às federações internacionais, no que diz respeito à participação de atletas russos, não são mais aplicáveis”, afirmou a federação.
Ao tratar a questão dentro de sua própria estrutura interna, a IBSF deixou claro que agora analisará os documentos do COI para determinar qual procedimento regeria um retorno às competições internacionais e se alguma regra precisa ser alterada antes que tal medida seja aplicada aos seus eventos. “A IBSF agora revisará seus próprios Estatutos, Regras e Regulamentos para determinar o processo adequado e quaisquer alterações necessárias para sua implementação na estrutura da IBSF”, acrescentou a federação.
A possível readmissão ocorre também em um momento de transição interna para a IBSF, que no início de junho elegeu a dirigente alemã Heike Groesswang — até então secretária-geral da federação internacional — como sua nova presidente. A organização poderá examinar, na primeira quinzena de setembro, a possibilidade de permitir o retorno de atletas russos a eventos licenciados pela IBSF.
O processo segue a mudança introduzida na terça-feira pelo COI, que suspendeu provisoriamente a punição ao ROC após uma análise de sua Comissão de Assuntos Jurídicos. A sanção estava em vigor desde outubro de 2023, quando o comitê russo incorporou à sua estrutura conselhos esportivos de territórios sob a jurisdição do Comitê Olímpico Nacional da Ucrânia; no entanto, o COI agora considera que os fundamentos da medida não se sustentam mais, uma vez que o ROC não inclui mais essas entidades como membros e garantiu que não realizará atividades nessas áreas.
A decisão do COI também afeta a estrutura geral que as federações vinham utilizando desde 2022 para restringir a participação russa. O COI recordou que, em fevereiro daquele ano — quatro dias após a invasão da Ucrânia —, recomendou que federações e organizadores de eventos internacionais excluíssem atletas e dirigentes russos e bielorrussos “para proteger a integridade das competições esportivas globais e garantir a segurança de todos os participantes”. Agora, a entidade declarou que tais condições — juntamente com aquelas adotadas em março de 2023 para regulamentar a participação neutra — não se aplicam mais aos processos de classificação em curso para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e para os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Dolomiti Valtellina 2028.
Embora tenha retirado suas recomendações anteriores sobre restrições a atletas e equipes russas, o COI deixou claro que qualquer atleta russo que retorne às competições internacionais deverá cumprir os requisitos antidoping pertinentes, com a gestão do programa nacional delegada à Agência Internacional de Testes (ITA), especialmente enquanto a Agência Antidoping da Rússia (RUSADA) aguarda sua plena reintegração.
A federação vinha excluindo atletas russos desde julho de 2022, quando decidiu bani-los de todas as suas competições internacionais por tempo indeterminado, em consonância com as primeiras recomendações do COI após a invasão da Ucrânia — conflito que persiste. A mudança aprovada agora em Lausanne levou a IBSF a reavaliar uma posição que havia surgido daquele contexto excepcional; no entanto, isso não torna a readmissão automática.
Essa análise deverá ser realizada dentro da margem de discricionariedade que o COI concedeu a cada federação internacional, uma vez que decisões sobre a organização de competições na Rússia, a presença de autoridades estatais e o uso de bandeira, hino, cores ou outras identificações nacionais cabem agora a cada entidade, enquanto o COI decidirá, em momento posterior, qual protocolo será aplicado nos Jogos Olímpicos.
A federação reconhece que o cenário que fundamentava suas restrições mudou, mas, antes de permitir qualquer retorno, precisa definir como as novas diretrizes se integram aos seus estatutos, quais requisitos os atletas russos deverão cumprir e se um eventual retorno poderia abranger competições internacionais licenciadas pela própria federação.









